Blackburn B-26 Botha

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Em 22 de maio de 2014 num trabalho da BBC foram apresentados os que seriam os dez piores aviões até hoje construídos. Entre eles, dois foram produzidos pela extinta Blackburn Aircraft, o Blackburn B.25 Roc e o Blacburn B.26 Gotha.
Blackburn B.26 Botha foi um avião bimotor britânico construído como aeronave de patrulha reconhecimento e bombardeiro torpedeiro baseado em terra construído pela Blackburn Aircraft nas suas fábricas de Brough e Dumbarton, concorrente com o Bristol Beaufort, a duas especificações do Ministério do Ar Britânico de 1935. 
Entrou em serviço da RAF em 1939, porém demonstrou de imediato ser inadequado para qualquer das funções para que fora construído. Era temido e odiado pelas tripulações por ser pouco confiável e propenso a acidentes tendo sido rapidamente retirado de todas a funções operacionais.


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Ano
1938
Pais de Origem
Reino Unido
Função
Bombardeiro
Variante
Mk I
Tripulação
4
Motor
2 x motores radiais Bristol Perseus, de 930cv (694 kW)
Peso (Kg)
Vazio
5366
Máximo
8369

Dimensões (m)
Comprimento
15,58
Envergadura
17,98
Altura
4,46

Performance (Km)
Velocidade Máxima
401
Teto Máximo
5335
Raio de ação
2044
Armamento
3 x metralhadoras de 7.7 mm (uma fixa e duas na torre dorsal)
1 x torpedo na baia interna, ou
907 Kg de bombas ou cargas de profundidade
Países operadores

Fontes

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GALERIA
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Backburn Botha Mk I
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Backburn Botha Mk I
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Backburn Botha Mk I
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Backburn Botha Mk I
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Backburn Botha Mk I
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Backburn Botha Mk I
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HISTÓRIA
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Em setembro de 1935, o Ministério do Ar emitiu a especificação M.15/35, para um bombardeiro torpedeiro e a especificação G.24/35 para um bombardeiro médio aptos a realizar operações de patrulha, reconhecimento de longo alcance.

A Blackburn Aircraft, em resposta ás especificações apresentou o Botha que concorreria diretamente com o projeto da Bristol, o tipo 152 (mais tarde denominado por Beaufort). Ambos tinham prevista a utilização de motores Bristol Perseus de 850cv. O Ministério do Ar, viria rever posteriormente as especificações, aumentando a tripulação de 3 para 4 elementos (M.10/36), que significava um aumento de peso da aeronave exigindo por isso um aumento da potência dos motores. Para o Bristol Tipo 152 Beaufort optou-se por motores Bristol Tauros de 1130cv, mas para o Botha optou-se por motores Perseus X com apenas 880cv.

O Ministério Ar numa atitude sem precedentes até á data, derivada da prespectiva de um conflito a breve prazo, encomendou 442 Blackburn Botha em 1936, ao mesmo tempo que colocava também encomendas para o Beaufort, com ambos os projetos ainda no papel.

Backburn Botha (Protótipo)
O primeiro voo do Blackburn Botha ocorreu em 28 de dezembro de 1938. Um piloto de testes observaria após o voo, «Esta coisa é mortal, mas não para os alemães, não quero voltar a pôr-lhe a vista em cima», outro mais tarde referiria, «O acesso à aeronave é difícil. Deveria ter sido tornado impossível». 

Durante os testes de serviço o Blackburn Botha demonstrou vário problemas graves e dificilmente solucionáveis. Tinha uma fraca estabilidade lateral e uma visibilidade lateral e a retaguarda quase nula devido a posição dos motores, tornando a aeronave inútil para missões de reconhecimento. Outro dos problemas apontados era a horrível disposição do cockpit e painel de instrumentos, com consequências que podiam ser graves para quem fosse «ignorante ou suficientemente tolo para voar num Botha», incrivelmente era possível durante a descolagem, inadvertidamente cortar o combustível aos motores, sem o piloto reparar que o tinha feito antes de ser tarde demais. Mais grave ainda era a perigosa falta de potência dos motores, com um rácio inferior a 0.09cv por tonelada de peso.

Inacreditavelmente e contra todas as opiniões que consideravam a aeronave um desastre, a RAF começou a receber as primeiras unidades de produção em 1940. 

Apesar de a aeronave ter conseguido passar o teste de lançamento de um torpedo e de minas o seu comportamento e desempenho era tão mau que a RAF decidiu em 1940 manter o Botha apenas em quatro esquadrões de reconhecimento até que fosse possível a sua substituição pelos Avro Anson, (eles próprios já nessa altura considerados obsoletos) eliminando o uso da aeronave como bombardeiro torpedeiro como fora originalmente planeado.

Interior do Cockpit do Botha
Inacreditavelmente, e apesar de tudo, a Blackburn construíria 580 Botha nas suas fábricas em Brough, e em Dumbarton na Escócia, uma quantidade descomunal para uma aeronave que desde inicio fora considerado incapaz, falhada e perigosa de utilizar (só entre maio de e junho de 1940 ocorreram quatro acidentes fatais com os Botha).

Contra tudo e todos, o Botha entraria ao serviço do 608º Esquadrão da RAF em junho de 1940, o único esquadrão que o usaria operacionalmente em missões de reconhecimento e escolta de comboios sobre o Mar do Norte, a partir de agosto daquele ano, usando para o efeito uma carga típica de 3 bombas antissubmarino de 50Kg, e duas de 110Kg de uso geral. O 608º esquadrão apenas operaria a aeronave ente junho e dezembro de 1940.

Em serviço a aeronave era severamente instável (entrava em perda de sustentação - stall a uma velocidade incrivelmente elevada) e tinha uma potência perigosamente insuficiente provocando uma série de acidentes fatais para as suas tripulações. Algumas células foram objeto de tentativas de aperfeiçoamento mas que se mostraram incapazes de resolver os problemas mais graves da aeronave. 

Só neste ponto, a RAF decidiu retirar o Botha de todas as operações na linha da frente e transferir as 473 aeronaves sobreviventes para unidades de instrução e algumas seriam convertidas em rebocadores de alvos e redesignados por Blackburn Botha TT Mk I. Dos nove esquadrões de instrução que receberam o Botha em 1941, em julho de 1942 apenas dois continuava a usar a aeronave.

O tipo seria considerado obsoleto e definitivamente abatido ao efetivo da RAF em agosto de 1943, depois de terem sido perdidas em acidentes 169 das 473 aeronaves convertidas para instrução, com perdas de tripulações.

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DESENHOS
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PERFIL
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FONTES
VER TAMBÉM
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