Hawker Hart (Audax, Osprey, Demon, Hardy, Hind, Hector )

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O Hawker Hart foi um biplano britânico de dois lugares utilizado como bombardeiro ligeiro pela Real Força Aérea (RAF). Projetado durante a década de 1920 por Sydney Camm (o futuro projetista do Hawker Hurricane) para a Hawker Aircraft Company, originou uma vasta família de aeronaves que tiveram grande destaque no período entre-guerras, mas já eram obsoletos perto do início da Segunda Guerra Mundial, onde ainda participaram embora em funções menores, até serem retirados.
As diversas variantes produzidas, incluindo uma de uso naval para os porta-aviões da Royal Navy, foram largamente utilizadas nos territórios de extenso império Britânico, e também adaptadas por outros países, entre eles Suécia, Jugoslávia, Estónia, África do Sul, Canadá e Portugal.
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Ano
1928
Pais de Origem
Reino Unido
Função
Caça Bombardeiro
Variante
Hart
Tripulação
2
Motor
Rolls-Royce Kestrel IB
Peso (Kg)
Vazio
1148
Máximo
2066

Dimensões (m)
Comprimento
8,94
Envergadura
11,35
Altura
3,17

Performance (Km)
Velocidade Máxima
296
Teto Máximo
6950
Raio de ação
756
Armamento
1 metralhadora Vickers de 7,7mm de disparo frontal, fixa na fuselagem (2 no Hawker Demon)
1 metralhadora Lewis de 7,7 mm numa instalação circular no cockpit traseiro
até 236 kg de bombas em suportes nas asas
Países operadores
Afeganistão, Australia, Belgica, Congo Belga, Canadá, Egito, Estónia,  Índia Britânica, Pérsia (Irão), África do Sul, Rodésia do Sul, Suécia, Reino Unido, Jugoslávia, Portgal, Espanha
Fontes
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GALERIA
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Hawker Hart, 57ºSqn, RAF, 1935
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Hawker Hind e Hawker Demon, 2010
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Hawker Hartbee, da SAAF
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Hawker Osprey, AN Portuguesa 
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Hawker Hind, 44ºSqn, RAF
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Hawker Hector
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HISTÓRIA

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Em 1926, o Ministério do Ar britânico lançou a Especificação 12/26 para um bombardeiro ligeiro de dois lugares de construção metálica e de alto desempenho, capaz de uma velocidade máxima de 258 km/h. Foram solicitadas propostas à Hawker, Avro e De Havilland. A Fairey, que tinha vendido um esquadrão do seu bombardeiro Fairey Fox em 1925, não foi convidada a participar embora perante os protestos, fosse também convidada a apresentar uma proposta.

Hawker Hart, 57º Sqn, RAF
O projeto da Hawker era um biplano alimentado por um Rolls-Royce F.XI de 12 cilindros arrefecido a água (mais tarde designado por Rolls-Royce Kestrel). Tinha uma estrutura metálica, com a estrutura da fuselagem em tubos de aço cobertos por painéis de alumínio e tecido, e as asas com longarinas de aço e nervuras em duralumínio, cobertas de tecido. Os dois elementos da tripulação sentavam-se em cockpits individuais em tandem, com o do piloto sob a borda da asa traseira, onde operava uma única metralhadora Vickers de (7,7 mm) montado no lado da porta do cockpit. O observador sentava-se atrás do piloto onde dispunha de uma metralhadora Lewis montada num anel e para bombardear colocava-se por baixo do assento do piloto para apontar e largar as bombas (até 240 kg transportadas sob as asas do avião).

O protótipo do Hawker Hart, voou pela primeira vez em Junho de 1928, e em testes posteriores demonstrou bom desempenho e manobrabilidade, atingindo 283 km/ em de voo e 454 km/h em mergulho. O concurso culminou com a escolha do Hawker Hart em abril de 1929. O De Havilland Hound foi rejeitado devido a problemas durante a aterragem e por causa de ter uma estrutura parcialmente em madeira. Por outro lado o Avro Antelope embora tenha apresentado um desempenho similar, foi preterido devido ao seu custo ser mais elevado , um aspeto vital num período de fortes restrições no orçamento das forças armadas britânicas. O Fairey Fox IIM que apesar do nome era efetivamente uma aeronave totalmente nova, voou pela primeira vez em 25 de outubro de 1929, muito tempo depois do Hawker Hart ter sido selecionado.


Hawker Hart Mk I, 33º Sqn RAF, 1931 
O Hawker Hart de produção dispunha de um motor Rolls-Royce Kestrel IB de 12 cilindros em V com o qual desenvolvia uma velocidade maxima de 296 km/h, num raio de acão de 757 km. Era mais rápido do que a maioria dos caças seus contemporâneos, o que era surpreendente uma vez que se tratava de um bombardeiro ligeiro. Tinha uma elevada manobrabilidade o que o tornou num dos bombardeiros biplanos mais eficazes da Royal Air Force. Em particular, a aeronave era mais rápida do que o Bristol Bulldog, que tinha entrado recentemente serviço como caça de primeira linha da RAF. Esta disparidade de desempenho levou a RAF a substituir gradualmente o Bulldog pelo Hawker Fury.

A procura foi tão elevada que a produção teve que ser distribuída por uma grande variedade de construtores de aeronaves. Dos 962 construído no Reino Unido, a Hawker produziu 234, a Armstrong Whitworth, 456, a Gloster 46, e a Vickers 226. Na Suécia foram produzidas pela ASJA 42 aeronaves sob licença.

Como Hawker Hart construiram-se 1004 aeronaves o que o tornou o bombardeiro ligeiro mais utilizado do seu tempo. Deu origem a várias variantes das quais detacamos o Hawker Audax, o Hawker Demon, o Hawker Hardy, o Hawker Osprey (versão naval) e do projeto surgiriam uma série de derivados, incluindo o Hawker Hind, o Hawker Hector, e o próprio Hawker Fury que seria sua versão de caça .

O Hawker Hart entrou em serviço da RAF em fevereiro de 1930, substituindo o maior e mais lento Hawker Horsley, e em 1931 substituiu os esquadrões de Fairey Fox , constituindo posteriormente dois esquadrões adicionais.

Hawker Hart da FA Sueca, na Guerra de Inverno
Os Hawker Hart foram mobilizados para o Médio Oriente durante a Crise Abissínia no período de 1935-1936 e foi extensamente utilizado de forma bem-sucedida na Fronteira Noroeste da India britânica durante o período entre guerras.

Quatro Hawker Hart da Força Aérea Sueca foram utilizados como bombardeiros de mergulho durante a Guerra de Inverno em 1939-1940 como parte de um esquadrão de voluntários sueco, lutando do lado finlandês. Apesar de obsoleto no início da Segunda Guerra Mundial, o Hawker Hart continuou ao serviço da RAF, realizando principalmente voos de comunicação e instrução até ser abatido ao efetivo da RAF em 1943.

  • Hawker Audax
Hawker Audax K3124 em El Kabrit, Egito, 1943
O Hawker Audax foi uma variante, projetado para cooperação com o exército, sendo largamente difundido por todo o Império Britânico. A primeira Audax voou no final de 1931 tendo sido produzidas mais de 700 unidades. O Audax era essencialmente um Hart, com algumas modificações, incluindo um gancho para apanhar mensagens, e alimentado com uma versão do motor Kestrel que lhe proporcionava uma velocidade máxima de 274 km/h. Foram produzidos em várias variantes nomeadamente uma versão tropicalizada para serviço na Índia e Singapura e outra partes do Império Britânico.



Hawker Audax com motor Bristol Pegasus
Foi também criada uma variante do Hawker Audax designada de Hawker Hartbee, para satisfazer os requisites da Força Aerea Sul-Africana para uma aeronave de apoio próximo às forças terrestres, da qual foram produzidas 69 aeronaves 64 das quais na Africa do Sul.

O Audax foi também exportado para forças aéreas de países e territórios sob influência do Império Britânico, incluindo a Royal Canadian Air Force, a Royal Indian Air Force, a South African Air Force, a Egyptian Air Force, a Iraqi Air Force, a Southern Rhodesian Air Force, e território designados por Settlements Straits .

O Audax foi utilizado durante a Segunda Guerra Mundial ainda que de forma limitada em África, nomeadamente em conflitos na fronteira Quênia - Abissínia que tinha sido ocupada pela Itália, e também no Iraque, pela RAF Habbaniya, a oeste de Bagdá na guerra Anglo-Iraquiana. O Audax terminou seu serviço em 1945.



  • Hawker Osprey
Hawker Osprey Mk I do 803º Esquadrão da
FAA sobre o HMS Eagle 
O Hawker Osprey foi a versão naval do Hart, para funções de combate e reconhecimento. O Osprey dispunha de um motor Rolls-Royce Kestrel II, que lhe possibilitava uma velocidade máxima de 270 km/h. A Fleet Air Arm (FAA) em 1932, adquiriu 103 aeronaves que se mantiveram ao serviço até 1944, depois serem usados como aeronaves de instrução da FAA durante a Segunda Guerra Mundial. Algumas unidades de Osprey foram também vendidas à Força Aérea Sueca , à Aviação Naval Portuguêsa e à Força Aérea Republicana Espanhola.


  • Hawker Demon
Hawker Demon, 604ºsqn, RAF 
O Hawker Demon foi uma variante de caça do Hart desenvolvido quando o Hart entrou ao serviço, e demonstrou ser praticamente impossível de intercetar pelos caças da contemporâneos da RAF. O Hawker Fury tinha um melhor desempenho, mas era mais caro e estavam disponíveis poucas aeronaves, pelo que foi sugerido uma versão caça do Hart, provisória até que novos caças de maior desempenho fossem adquiridos. A nova variante caça recebeu uma segunda metralhadora Vickers, a cabine traseira foi modificada para permitir um melhor domínio da arma traseira, e recebeu um motor Rolls Royce Kestrel V12 com turbocompressor.



Torreta Frazer-Nash do Hawker Demon
O designado Hawker Demon voo pela primeira vez 10 de fevereiro de 1933, mas não teria um grande sucesso. A velocidade da aeronave era tal que o artilheiro traseiro tinha grande dificuldade em manobrar a arma contra a turbulencia produzida a altas velocidades. Em resposta, alguns Hawker Demon receberam uma torre Frazer-Nash básica que consistia num escudo protetor movido hidraulicamente e que melhorou muito a precisão do artilheiro traseiro. No entanto, quando a torre era apontado lateralmente, a precisão das duas armas fixas reduzia-se drasticamente.

Foram construídos 305 Hawker Demon , 232 para a RAF e os restantes para a Royal Australian Air Force. A última aeronave foi entregue em 1937 mas era já obsoleto no inicio da Segunda Guerra Mundial onde apenas foi utilizado em breves operações de segunda.

  • Hawker Hardy
Hawker Hardy do 6ºSqn da RAF em Ramleh,
Palestina - entre 1934 e 1939
O Hawker Hardy foi uma variante tropicalizada para atender à necessidade de substituir os Westland Wapiti no Iraque. O protótipo era um Hart modificado com um novo radiador, recipientes de água e um kit de sobrevivência no deserto. O protótipo voou pela primeira vez em 7 de Setembro de 1934, e as primeiras aeronaves de produção foram entregues a em janeiro de 1935. Os Hardy foram utilizados durante a Segunda Guerra Mundial, em África e no Médio Oriente, realizando uma série de operações contra os italianos que ocupavam a Abissínia, e outros territórios do Norte de Africa. Foi utilizado operacionalmente pela ultima vez em 1941.

  • Hawker Hind
O primeiro Hawker Hind de produção (K4636),
 voou pela primeira vez a 4 de setembro de1935
O Hawker Hind surgiu quando o Ministério do Ar viu necessidade de adquirir um melhor bombardeiro para ser usado provisoriamente enquanto eram desenvolvidos monoplanos mais modernos como o Fairey Battle.

A Especificação G.7/34 , conduziu a compra de uma nova versão do Hart mais capaz. As principais diferenças do Hawker Hind em comparação com o anterior Hart era o novo motor, um Rolls Royce Kestrel V, e a inclusão de melhorias a partir dos outros derivados anteriores, como as melhorias no cockpit traseiro desenvolvido para o Demon, coletores de escape tipo "chifre de carneiro", e nova hélice metálica Fairey-Reed .

O Hind entrou em serviço em novembro de 1935 chegando eventualmente a equipar 20 esquadrões de bombardeiros da RAF. Foi também exportado para vários países entre os quais, África do Sul, Canadá, Nova Zelândia, Afeganistão, Irlanda, Portugal, Letónia, a Pérsia (Irão), Suíça e Jugoslávia .

Hawker Hind com motor Bristol Mercury VIII,
 da FA Iraquiana
Por volta de 1937, o Hind começou progressivamente ser substituído por unidades mais modernas como o Fairey Battle e o Bristol Blenheim.

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o Hind passou a ser utilizado como avião de instrução a partir de 1938 mantendo-se nessas funções durante a guerra.

Em 1941, alguns Hind Sul-Africanos voaram em missões de combate contra as forças italianas no Quênia durante a Campanha do Leste Africano, os Jugoslavos foram usadas contra os alemães e italianos e os iranianos foram usados brevemente contra as forças aliadas durante a invasão anglo-soviética do Irão.

  • Hawker Hector
Hawker Hector
O Hawker Hector foi concebido em 1936, tendo por base o Hawker Hart, como um substituto para o Hawker Audax, em operações de cooperação com o exército. Devido à procura de motores Rolls-Royce Kestrel necessários para o Hawker Hind , foi utilizado alternativamente o Napier Dagger III . Foram produzidas 178 aeronaves (13 fornecidos a Irlanda) que equiparam 7 esquadrões da RAF até serem substituídos a partir de 1938 pelo Westland Lysander.


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EM PORTUGAL


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Hawker Osprey da A.N.Portuguesa a ser içado para
o NRP Alfonso de Albuquerque
Quando, nos primeiros anos da década de trinta, a Marinha de Guerra Portuguesa renovou a frota, e adquiriu vários navios de guerra construídos em estaleiros britânicos, entre os quais os avisos de 1ª classe (cruzadores ligeiros) «NRP Afonso de Albuquerque» e «NRP Bartolomeu Dias», que podiam ser equipados com  hidroaviões de combate e reconhecimento, que seriam arriados e içados dos navios através de gruas, foram encomendados em 1934 dois Hawker Osprey Mk III. O primeiro foi recebido em Maio de 1935, fazendo parte do equipamento do navio «NRP Afonso de Albuquerque» e o segundo em 1936, juntamente com o navio «NRP Bartolomeu Dias». Receberam, respetivamente, os números 71 e 72.

A guerra sino-japonesa levantou a necessidade da reativação do Centro de Aviação Naval (CAN) de Macau que, em Maio de 1938, foi equipado com os dois Hawker Osprey mencionados acima e mais quatro adquiridos pelo Ministério das Colónias. Todos estes aviões - incluindo os ex-embarcados - receberam numeração própria do CAN de Macau, de 1 a 6.

Hawker Osprey do CAN de Macau
No início de 1940, por ação direta do Comandante do CAN de Macau, foram adquiridos à Fleet Air Arm dois hidroaviões iguais, aumentando o efetivo para oito unidades. Tudo leva a crer que receberam os números 7 e 8 daquele CAN.

Os Hawker Osprey da Aviação Naval (A.N.) estavam inteiramente pintados em alumínio, com base dos flutuadores a preto. A insígnia da Cruz de Cristo, sobre círculo branco, estava colocada no extra-dorso das asas superiores e no intradorso das asas inferiores. As cores nacionais, com o escudo, cobriam todo o leme de direcção. Os números de matrícula estavam pintados em grandes algarismos pretos nos painéis laterais dos motores e ainda na cauda, sob os estabilizadores horizontais, embora em algarismos de pequenas dimensões. Quando ao serviço do CAN de Macau, apresentavam nos lados da fuselagem, imediatamente atrás do bordo de fuga das asas, a Cruz de Cristo sobre um quadrado branco. No leme de direcção, as cores nacionais não tinham o escudo sobreposto. Estas singularidades fugiam às normas adoptadas na época pela A.N.

Os Hawker Osprey foram retirados de serviço em 1941, provavelmente sem terem regressado à metrópole. Há quem refira que esses aviões foram destruídos pela aviação americana em 1941 (1945?), num ataque que fizeram a Macau, julgando que o território estivesse ocupado pelos japoneses (*).
Hawker Hind da A.M.Portuguesa, 1935

Em Julho de 1937, a Aeronáutica Militar (AM) recebeu quatro aviões Hawker Hind, o primeiro dos quais efectuou o voo de ensaio inicial em 5 de Junho desse ano.

Dois dos Hawker Hind recebidos vinham preparados como bombardeiros, e foram entregues ao Grupo Independente de Aviação de Bombardeamento (GIAB), em Tancos.

Os outros dois, dotados de duplo comando, foram colocados na Escola Militar de Aeronáutica (EMA), em Sintra, destinados ao treino de adaptação de pilotos a aviões mais rápidos. Coube-lhes os números de matrícula de 404 a 407.

Totalmente pintados em alumínio, apresentavam as insígnias militares de acordo com as normas da época: Cruz de Cristo, sobre círculo branco, no extra-dorso das asas superiores e no intradorso das inferiores. A bandeira nacional, com escudo, num rectângulo no leme de direcção. A matrícula, a preto, nos lados da fuselagem.

Os Hawker Hind foram retirados de serviço em 1942.

Texto adaptado de:
"Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

(*) De acordo com várias outras fontes o ataque ocorreu perto do final da II Guerra Mundial, em 16 de Janeiro de 1945. A razão principal do ataque foi a destruição dos depósitos de gasolina existentes no hangar do antigo Centro de Aviação Naval de Macau, no Porto Exterior, O combustível era frequentemente trocado por alimentos com as guarnições Japonesas que se encontravam ás portas de Macau, uma vez que a cidade se encontrava totalmente isolada do exterior depois da ocupação de Hong Kong pelos japoneses.

DESENHOS
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PERFIL
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FONTES
VER TAMBÉM
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Hawker Harts, 12º sqn no Aerodromo de  Andover, 1931



Hawker Harts do 6º Sqn da RAF NA Palestine, 1936